MPF não autorizou TV simular tráfico e comunicou a PF

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Depois de ser consultado pela TV Centro América a respeito da produção de uma reportagem na qual uma equipe iria atravesar a região fronteiriça entre Brasil e Bolívia simulando o transporte de 240 quilos de drogas, o Ministério Público Federal (MPF) informou à emissora que não tem atribuição de autorizar ou apoiar a realização da reportagem. Dessa forma, o MPF comunicou a Polícia Federal (PF).

Como desdobramento, a equipe da emissora afiliada da Rede Globo foi detida na noite desta segunda-feira (12) durante uma abordagem do Grupo Especial de Segurança de Fronteira (Gefron). O repórter Alex Barbosa e mais 3 funcionários da TV foram levados para a sede da Polícia Federal em Cáceres e só foram liberados após a constatação de que os 240 quilos de pó branco similar à cocaína não eram drogas.

A abordagem aconteceu na BR-070 sentido Bolívia-Brasil, quando 4 funcionários da emissora e dois carros foram parados e revistados. A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) já se manifestou por meio de nota, mas não mencionou qualquer relato sobre os policiais do Gefron estarem a par da situação.

O secretário Mauro Zaque defende que o caso seja investigado através de um inquérito policial que será conduzido pela Polícia Federal, pois segundo ele, o episódio gerou gastos públicos. Isso porque foi “desviado as forças de segurança pública do seu objetivo, deixando a fronteira desguarnecida, o que causou também prejuízo aos cofres públicos com emprego de força pública para atender uma demanda pessoal e de interesse particular da emissora”.

Foram mobilizados na ocorrência 16 homens, entre 4 equipes do Gefron e 5 policiais federais. Um inquérito foi aberto e será conduzido pela Polícia Federal.

Confira a íntegra da nota do MPF

Nota de esclarecimento

O Ministério Público Federal comunica que a instituição foi consultada pela TV Centro América, na sexta-feira (09/10), a respeito do interesse do veículo de comunicação em fazer a travessia da fronteira entre Brasil e Bolívia, no oeste de Mato Grosso, simulando o transporte de droga.

O MPF informou à TV Centro América, em duas ocasiões, que não tem atribuição de autorizar ou avalizar a realização da matéria jornalística. E, na obrigação da transparência com as instituições que fazem a segurança na fronteira, o MPF comunicou a Polícia Federal.

O mesmo dever de transparência com as instituições da Polícia Federal e com o Gefron levou o MPF a comunicar à TV Centro América, na tarde de sexta-feira 09/10, que a força policial tinha conhecimento da pauta.
O Ministério Público Federal reconhece a importância da investigação jornalística para levar ao conhecimento público os problemas de nossa sociedade e em sua relação com a Imprensa atua dentro dos limites da legalidade e com base na transparência dessa relação.

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