Silvana Bazani/ A Gazeta
Mato Grosso exportou 26,204 milhões de toneladas de produtos agropecuários nos 10 primeiros meses de 2014. Os embarques movimentaram US$ 13,042 bilhões no período, mas ficaram ligeiramente abaixo do montante alcançado durante igual intervalo de 2013, quando atingiu US$ 13,525 bilhões com as vendas externas de 27,858 milhões de toneladas de produtos.
A variação negativa de 3,58% ou US$ 483,640 milhões na receita comercial foi influenciada principalmente pela diminuição das exportações de milho (-49%), carne de frango (-40,72%), óleo de soja (-31,78%) e produtos florestais (-7%), como revelam os dados informados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nesta segunda-feira (10).
Apesar do recuo nos embarques de óleo bruto em bruto e refinado, as exportações do complexo soja responderam por 72% da receita comercial gerada de janeiro a outubro deste ano, ao assegurar US$ 9,499 bilhões, sendo 9,04% acima do valor verificado em 2013 (US$ 8,712 bilhões). Contribuíram para o desempenho positivo o crescimento nas exportações de farelo de soja (9,92%) e de soja em grãos (10,98%), sobre o último ano.
“O movimento das exportações do complexo soja de Mato Grosso acompanha o que se passa no agregado nacional”, comenta o gerente de Economia da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan Amaral. “No acumulado de janeiro a outubro de 2014 tivemos crescimento de 8% nas vendas externas de soja em grão, 6% de farelo de soja e queda de 4% nas exportações de óleo”.
Segundo ele, a principal influência para o incremento nos embarques de soja em grão foi o aumento do consumo na Ásia, incluindo a China, bem como na Europa, além da abertura de novos mercados consumidores, como a África, Rússia e países da ex-União Soviética e do leste europeu.
Já a procura internacional por farelo de soja foi intensificada no sudeste asiático, exceto China, e em novos mercados na África, Rússia e também em países da ex-União Soviética. Quanto à demanda por óleo de soja, houve redução no consumo na China, África e países americanos. “Isso foi parcialmente compensado por um aumento nas vendas para o sudeste asiático”, acrescenta o gerente da Abiove, lembrando que o volume excedente de óleo foi direcionado principalmente para a produção de biodiesel no mercado interno.
Outros produtos – O milho mato-grossense direcionado para o mercado internacional, entre os meses de janeiro a outubro deste ano, totalizou 7,164 milhões de toneladas e resultou no montante de US$ 1,369 bilhão negociado. No mesmo período do ano passado, a produção recorde e os preços mais elevados resultaram em vendas externas de 10,889 milhões de toneladas e receita comercial de US$ 2,686 bilhões.
A cotação inferior em relação ao último ano também impactou nas exportações de algodão em 2014, que acumula recuo de 1,24% até outubro. Em 2013, foram embarcadas 286,120 mil toneladas de algodão que geraram US$ 558,499 milhões. Neste ano, até o mês passado as exportações totalizaram US$ 295,393 milhões com volumes de 551,569 mil toneladas.
Balança comercial – Com o recuo de 3,58% nas exportações e a elevação de 12,63% nas importações mato-grossenses, o saldo da balança comercial do agronegócio em 2014 ficou 3,58% abaixo daquele alcançado em 2013. Enquanto no ano passado o saldo comercial foi superavitário em US$ 13,521 bilhões, neste ano atingiu US$ 13,037 bilhões, também positivos.
Nacional – Entre setembro de 2013 a outubro de 2014, as exportações brasileiras de produtos do agronegócio somaram US$ 97,4 bilhões. Os 5 principais setores exportadores do agronegócio nos últimos 12 meses foram: complexo soja, carnes, complexo sucroalcooleiro, produtos florestais e café. Esses setores foram responsáveis por US$ 76,240 bilhões em exportações no período.
