Esposa nega que coronel da PM assassinado reagiu a assalto

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A mulher do tenente-coronel Helton Vagner Martins, assassinado no último sábado (8), em Sinop (500 km ao Norte de Cuiabá), negou que o seu esposo tenha reagido à tentativa de assalto à sua residência.

 

O oficial, que tinha 38 anos, foi executado com quatro tiros. O acusado da execução é um adolescente de 15 anos, que está recolhido ao sistema socioeducativo da cidade, com outros dois menores que participaram do crime.

 

O delegado Marcelo Carvalho, titular da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Sinop, ouviu, na tarde de quinta-feira (13), a esposa do tenente-coronel.

 

Segundo ele, em entrevista ao site Sonotícias, a mulher garantiu que o oficial não reagiu e tentou proteger os filhos, quando os criminosos começaram a atirar, após perceber que ele era policial.

 

Ao tentar defender o marido, ela acabou atingida por dois projéteis.

 

Para o delegado, trata-se de uma “grande maldade”. “Ao que tudo indica, o ato foi totalmente intencional e covarde”, disse ele, na entrevista.

 

Carvalho vai ouvir mais algumas testemunhas, mas acredita que já tem informações importantes e suficientes para manter os suspeitos apreendidos e presos.

 

O inquérito deverá ser concluído nos próximos dias e oferecida denúncia pelo Ministério Público Estadual.

 

Segundo o site, a versão apresentada pela esposa contraria o depoimento prestado pelos adolescentes, de que o policial teria reagido e, por isso, os tiros foram disparados.

 

“Um adolescente relatou que foi ao quarto do casal e, sobre a cama, encontrou um boné da Polícia Militar e gritou para os outros assaltantes: ‘É polícia!’. Em seguida, iniciou os disparos”, disse o delegado Marcelo Carvalho, em recente entrevista.

 

Segundo ele, os menores disseram ainda que o tenente-coronel teria tentado evitar os tiros, mas não conseguiu.

 

Na prisão

 

O adolescente de 15 anos que assassinou o tenente-coronel Helton Vagner Martins está recolhido no sistema socioeducativo do Município.

 

Ele está em companhia dos outros dois menores que também participaram da tentativa de assalto à residência do ex-oficial.

 

Já o adulto de 23 anos, preso por dar apoio logístico à quadrilha, está recolhido a uma cela da Penitenciária Osvaldo Florentino Leite (Ferrugem).

 

Os quatro foram presos horas depois do crime, em casas de familiares e amigos.

 

O adolescente que atirou e matou o PM foi encontrado dormindo, em casa.

 

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), os menores estão em uma cela com mais um adolescente.

 

O socioeducativo possui três celas e tem capacidade para 12 pessoas. Todas as celas estão com quatro menores.

 

Eles têm direito a quatro refeições por dia e saem para o “banho de sol” duas vezes na semana. Os dias de visita não foram informados.

 

Conforme a Sejudh, os adolescentes vão ficar no socioeducativo até a decisão do juiz Cleber Luis Severino de Paula, da Vara da Infância do Adolescente de Sinop.

 

Pela lei, o juiz tem 45 dias para sentenciar ou não o adolescente pelo crime.

 

A reportagem tentou contato com Severino de Paula, mas até a edição desta reportagem, ele não foi localizado.

 

Uma recepcionista da Vara da Infância do Adolescente do município, que não quis de identificar, informou que o juiz já está com o processo em mãos.

 

 “O depoimento da mulher do oficial é a peça chave da investigação, para sabermos o que efetivamente ocorreu, já que ela também foi vítima” Investigação

 

O delegado Marcelo Carvalho, da Delegacia de Roubos e Furtos de Sinop, responsável pela investigação do assassinato, informou que vai encerrar o inquérito sobre o caso em 10 dias.

 

O delegado deve ouvir, ainda, os policiais que atenderam a ocorrência, os dois filhos do militar e a sobrinha dele, que também estavam na casa, no dia do crime.

 

Após terminar o inquérito, o delegado vai enviar o processo para a Justiça, que o encaminhará ao Ministério Público Estadual (MPE) da Comarca de Sinop.

 

Com o processo, o MPE vai decidir ou não pelo oferecimento da denúncia contra os quatros envolvidos no crime

 

O caso

 

O tenente-coronel Helton Martins foi abordado na porta de casa, por volta das 19h30 de sábado, quando lavava o carro.

 

Segundo a Polícia apurou, antes disso, os bandidos já haviam passado três vezes na frente da residência.

 

Na quarta vez, eles decidiram praticar o assalto e renderam o oficial, a esposa, os dois filhos do casal e uma sobrinha deles.

 

As vítimas foram trancadas em um quarto da casa.

 

Durante a procura por objetos de valores na residência, um dos criminosos encontrou o boné da PM e mandou um adolescente de 15 anos tirar satisfação.

 

Nesse momento, o policial teria tentado desarmá-lo. Foi quando ele atirou e a esposa dele teria entrado no meio, e também foi atingida pelos disparos.

 

Após o menor atirar contra as vítimas, os criminosos fugiram a pé, sem levar nada.

 

O PM levou dois tiros no peito, um no tórax e um na cabeça.

 

Ele foi levado ainda com vida ao Hospital Regional, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no início da madrugada do domingo (9).

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