Desigualdade em alta afeta até países nórdicos, conhecidos pela igualdade

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Nick Rigillo, da Bloomberg

© Thinkstock Pessoas em Bergen, cidade da Noruega

A crescente desigualdade pode provocar uma “perda” de até 25 por cento do crescimento da região mais igualitária do mundo até 2030.

A conclusão é de economistas do Nordea Bank, que extrapolaram cálculos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A desigualdade aumentou na região nórdica nas últimas décadas. A Suécia foi a mais afetada, com alta de 34 por cento, seguida da Dinamarca (22 por cento), da Finlândia (18 por cento) e da Noruega (12 por cento).

O aumento médio entre os países da OCDE foi de 8 por cento no mesmo período. Mas qualquer comparação deve levar em conta que os nórdicos “partiram de um nível excepcionalmente igualitário” e continuam figurando entre as sociedades mais justas do mundo desenvolvido, segundo o Nordea. (O órgão de estatísticas da Suécia informou nesta semana que o país tem a “menor taxa de privação material severa da Europa”).

O Nordea afirma que boa parte do aumento da desigualdade nos países nórdicos “é resultado de reformas deliberadas na tributação e na redistribuição, aliadas à inevitável convergência com a Europa por meio da adesão à UE (ou ao Espaço Econômico Europeu, no caso da Noruega)”.

Segundo a OCDE, a crescente desigualdade reduziu o crescimento do PIB per capita da população em idade ativa (uma medida da riqueza econômica geral) na região nórdica em 20 por cento a 30 por cento em relação a 1990 e 2010.

O Nordea agora usou o modelo da OCDE para projetar o nível de “baixo desempenho” das quatro economias nórdicas entre 1990 e 2030 usando suas próprias projeções de longo prazo e assumindo que as tendências atuais de desigualdade persistirão.

O resultado mostra uma “perda” anual média do crescimento potencial per capita de cerca de 25 por cento para a Noruega e a Finlândia, de cerca de 20 por cento para a Suécia e de cerca de 5 por cento para a Dinamarca.

Os estudos da OCDE e do Nordea assumem que a desigualdade provoca impacto adverso sobre o crescimento de três formas: por meio de investimentos insuficientes ou de investimentos ineficazes de famílias de baixa renda; por meio do consumo agregado reduzido, uma vez que as famílias de baixa renda consomem mais e as famílias de alta renda economizam mais; e por meio da instabilidade política causada pelo ressentimento dos eleitores em relação às políticas pró-negócios.

As estimativas do Nordea têm várias ressalvas.

Por exemplo, os autores ressaltam que “o ’baixo desempenho’ do PIB nórdico per capita da população em idade ativa com o resultado hipotético da falta de mudança na desigualdade é uma estimativa muito grosseira e que é impossível saber exatamente em que momento o impacto do aumento da desigualdade apareceria”.

“Não estamos afirmando que esta é a verdade suprema; [o trabalho] não é perfeito”, disse Johan Trocme, analista do Nordea. “Mas este exercício nos dá uma ideia sobre se esta é uma questão importante ou não.”

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