Suplemento da moda

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Mesmo com a divulgação das consequências desastrosas provocadas pelo mau uso de suplementos alimentares, esses produtos continuam despertando o desejo de consumo e mantendo o sucesso absoluto, basicamente entre os praticantes de exercícios físicos, como a musculação. Para alguns, vale tudo para conquistar o tão desejado aumento de músculos no corpo, até mesmo colocar a própria vida em risco.
 
Vários morreram buscando esse objetivo, resultado que não intimida os obcecados pelo músculo perfeito.
 
O mais recente astro desse segmento é o Jack3d, suplemento que, mesmo com o consumo ainda não autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é encontrado facilmente em várias academias de todo o País. A propaganda do produto na internet promete dar energia, uma disposição fora do comum e força na malhação.
 
Tudo por conta de componentes na fórmula, como a creatina que auxilia no ganho de massa muscular, mas pode sobrecarregar os rins, e a teofilina – broncodilatador usado em tratamento de doenças respiratórias como a asma, além de aminoácidos e proteínas.
 
“Níveis elevados de creatina na corrente sanguínea podem causar paralisação nos rins. No caso da dilatação das veias, outra consequência do chamado suplemento pode retardar o retorno do sangue ao coração, situação que beneficia o desenvolvimento de varizes e de trombose venosa profunda em pessoas com predisposição para essas patologias”, alerta Jomar Souza, especialista em Medicina do Exercício e do Esporte e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE).
 
A venda do Jack3d é feita no mercado negro das academias e pela internet, onde há a promessa de resultados mirabolantes para os consumidores, como músculos “talhados”, ou seja, inchados e definidos, e ainda substâncias sem contra indicações. Contudo, há a ressalva na sua ingestão, que deve ser feita antes dos exercícios e evitada por quem não é saudável.
 
Risco à saúde
 
Num país como o nosso, onde é grande a automedicação por parte da população, como identificar com precisão quem é plenamente saudável? “Quem arrisca precisa ter consciência de que os prejuízos a serem provocados pelo suplemento são grandes, começando pela possibilidade do comprometimento renal e hepático do organismo.
 
Também é preciso esclarecer que esse tipo de produto não substitui a alimentação normal e balanceada”, alerta o especialista.
 
Dr. Jomar esclarece que a recomendação da bula de se tomar o suplemento em jejum para melhores resultados pode ser outro fator de risco, pois o principal componente que deveria ser ingerido nessa situação é o carboidrato. “Nenhuma das substâncias do produto supre essa necessidade do organismo e é bom lembrar que o consumo de carboidratos, proteínas e gorduras feito de forma desequilibrada pode reduzir e não aumentar a massa muscular”.
 
Já Isa Bragança, cardiologista, especialista em Medicina do Esporte e diretora da Clínica Médica Desportiva, no Rio de Janeiro vai além. “A médio e longo prazos, quem possui tendência a hipertensão, diabetes, problemas cardíacos e de tireóide podem desencadear essas doenças”.
 
A propensão a dores e lesões após os exercícios são outros fatores preocupantes, uma vez que, sob o efeito do produto, as pessoas podem exagerar no treino, levantando mais peso do que o corpo pode suportar.
 
Produto não autorizado
 
A ANVISA esclareceu que o Jack3d é um produto comercializado nos Estados Unidos como suplemento dietético e que não está autorizado para comércio no Brasil como alimento devido à sua composição e finalidade do uso. O órgão também alerta que alguns dos componentes do produto não estão autorizados para uso em suplementos no nosso País, como a arginina, alfacetoglutarato, beta alanina e 1,3 dimetilamilamina não possuem o uso de segurança demonstrada.
 
Outros estão autorizados como alimentos para atletas, mas de forma isolada, e desde que atendam os requisitos específicos de composição e rotulagem (creatina e cafeína). Além disso, o rótulo precisaria ser em português.

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