Índia que acompanhou Bolsonaro à ONU faz vídeos de conotação sexual

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Jacques Gosch (RDNEWS)


Na tentativa de deslegitimar o cacique Raoni Metuktire  como principal liderança dos indígenas do Brasil, o presidente da República Jair Bolsonaro integrou a  índia Ysani Kalapalo à sua comitiva que foi para a Assembleia Geral da ONU em Nova York.  Ambos são originários do Parque Nacional do Xingu em Mato Grosso.

Bolsonaro, que andava com Ysani a tiracolo pela sede das Nações Unidas, chegou a destratar Raoni durante seu discurso na abertura da Assembleia Geral. Acusou o cacique caiapó de 89 anos  que percorre o mundo defendendo a causa indígena de servir como “peça de manobra” de líderes estrangeiros  com interesses na Amazônia.

Chama atenção o fato de Ysani, que é youtuber, gravar vídeos que contrariam o discurso conservador de Bolsonaro. Até mesmo elementos relacionados a chamada ideologia de gênero estão presentes no trabalho da indígena no ambiente virtual.


Um dos vídeos de Ysani é intitulado “existe indígena transexual?”. Evidentemente não há problema nenhum em tratar do assunto há não ser para Bolsonaro, que chegou a determinar o cancelamento de edital da Agência Nacional de Cinema (Ancine) para impedir a produção de audiovisuais com temática LGBTI.

Outros vídeos de Ysani tratam de assuntos que certamente seriam reprovados por Bolsonaro como: “Qual o tamanho normal do Pikachu dos índios?”  e “Por que a Pepeka das índias do Xingu é fechada”. Um outro material fala sobre posições sexuais e questiona: “Índio faz sexo anal?”.

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Ysani Kalapalo entre o presidente Jair Bolsonaro e a esposa do presidente, Michele, na ONU

Mas Ysani também tem vídeos com assuntos sérios como “Setembro Amarelo” relatando o suícidio de um tio. Outros temas abordados são “Por que eu sou indígena de Direita?”; “Religião Indígina Milenar” e “Ele não é nosso cacique geral” justamente sobre Raoni. Assista o canal aqui

O convite de Bolsonaro a Yasni não foi bem recebida entre as lideranças do Xingu. 16 caciques escreveram carta repudiando sua presença na comitiva presidencial.

“O governo brasileiro ofende as lideranças indígenas do Xingu e do Brasil ao dar destaque a uma indígena que vem atuando constantemente em redes sociais com objetivo único de ofender e desmoralizar as lideranças e o movimento indígena do Brasil”, diz a carta.

Antes de aderir ao “bolsonarismo, a youtuber foi simpatizante da ex-presidente da República Dilma Rousseff (PT) e do ex-deputado federal Jean Wyllys (Psol). No entanto, se diz “traída” pelas lideranças de esquerda e agora atua no sentido de contrapor o discurso dos demais indígenas sobre queimadas, desmatamento, demarcações e outras pautas dos povos originários.

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