Empresário diz que Corinthians lhe ‘deu’ Malcom para pagar Ralf e detona cartola

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Formado dentro do Parque São Jorge, Malcom é uma das grandes promessas do futebol brasileiro. Segundo o jornal inglês The Guardian, é um dos 40 jovens mais promissores do mundo. Se uma proposta milionária chegasse hoje para tirá-lo do Corinthians, no entanto, o clube paulista teria direito a apenas 30% do total.

Há seis meses, porém, o alvinegro era detentor de 70%, mas deu mais da metade para o empresário e conselheiro vitalício do clube Fernando Garcia para pagar uma velha dívida da compra de Ralf, que no valor original seria de cerca de R$ 2,2 milhões. Quem conta toda a história é o próprio Fernando, que tem na sua empresa atualmente 35% dos direitos econômicos do atleta e que teve relação direta com um imbróglio que durou mais de dois anos. 

Apesar de ter resolvido a situação, Fernando não poupa Roberto de Andrade, à época diretor de futebol, que é também pré-candidato da situação para dar continuidade para a gestão Mario Gobbi, e detona o dirigente. O conselheiro é irmão de Paulo Garcia, cotado para ser candidato da oposição, mas que fez doação para a campanha a deputado federal de Andrés Sanchez.

Ele diz ter tomado um calote em dois momentos diferentes: o primeiro dos empresários do volante (Allison Costa e André Costa), que acabou lhe valendo 15% dos direitos de Ralf quando chegou ao time paulista, e um segundo do próprio Corinthians, por meio de Roberto de Andrade, o que resultou em uma carta de crédito trocada pelos direitos da nova revelação.

Sem receber o dinheiro que lhe teria direito por causa de uma proposta da Fiorentina para Ralf, em 2012, o empresário, que já tinha 10% de Malcom, resolveu o problema que tinha pedindo mais 40% dos direitos do garoto, já em 2014 – ele repassou 5% no mesmo momento para parceiros e depois vendeu mais 10%, ficando com 35%. O clube paulista, que tinha até então 70%, aceitou e ficou com apenas 30%. O restante pertence a outras companhias, também parceiras do conselheiro, mas de donos diferentes.

“Roberto de Andrade nunca honrou com a palavra. Mais do que isso, sempre escondeu que havia essa proposta. O Duílio [Monteiro Alves, direto adjunto à época] foi pelo menos homem e me mostrou a oferta. O Roberto, esse cidadão não tem honra para ser presidente do Corinthians. Um cidadão desse, vendedor de carro, se atreve a administrar um clube da grandeza do Corinthians, meu time se coração. Um cidadão que não sabe nem vender um carro importado, e quer colocar a bunda dele numa cadeira de um cargo de presidente do Corinthians. Inacreditável aos meus olhos e ao meu coração corintiano, para quem desde pequeno frequenta a arquibancada do Corinthians”, disse Fernando em contato com a reportagem.

“Não sei nem se ele é corintiano, nunca vi ele frequentando o Parque São Jorge. Ninguém nunca viu ele. Se vc mostrar a foto dele no parque São Jorge, ninguém sabe quem é. Ele se esconde na barra da calça do Andrés Navarro Sanchez. Ele não é p… nenhuma no Corinthians. É outra invenção ou piada do futebol brasileiro. Por isso que o futebol brasileiro anda nessa draga. Apanhando de 7 a 1”, completou.

Apesar de o estatuto do Corinthians prever que não podem fazer parte dos poderes sociais os sócios que tenham relação profissional com o clube, Fernando se defende dizendo que tudo que faz é por meio da pessoa jurídica e não da pessoa física. Ele diz ainda nunca ter participado e não ter nenhuma pretenção de participar das questões políticas do Parque São Jorge. 

Procurados, Roberto de Andrade não respondeu às ligações da reportagem e os empresários André e Alison não quiseram comentar a matéria.

Entenda o que aconteceu com Malcom e Ralf

2008: o empresário e conselheiro do Corinthians Fernando Garcia diz que foi ele quem levou Ralf para o Noroeste, clube que seu pai, Damião Garcia, presidia, com 60% dos direitos econômicos do atleta. No ano seguinte, o volante foi para o Barueri, quando a briga com os dois outros empresários do jogador começou. Segundo Fernando, havia um acordo entre os três para que ele ficasse com 20% dos direitos de Ralf nessa mudança de clubes. O combinado chegou a ser documentado, mas jamais cumprido, ainda conforme a versão de Garcia. André Vieira Costa e Allison Garcia Costa (empresários do atleta), segundo pessoas que acompanharam a negociação, não concordavam com os termos e ofereceram a Justiça como único caminho a resolver o problema. Veja Aqui

2010: O tempo passou, a oportunidade do Corinthians apareceu, e os dois toparam, ainda na versão de Fernando, devolver os 20% a ele com a ida ao grande time. Mais uma vez, o acordo nunca foi cumprido.

“Foi um acordo que eu fiz com os empresários e também com Andrés Sanchez [à época presidente do Corinthians]. Quando cheguei no clube para assinar a papelada, não havia isso documentado. Me disseram que os empresários tinham dito que tudo estava resolvido comigo, mas não estava. Fique para trás”, disse Fernando Garcia, em contato com a reportagem.

Somente no dia 24 de maio daquele ano, já no Corinthians, Alison e André acertaram a situação com Fernando Garcia. Cada um cedeu uma parte e o último acabou ficando com 15% dos direitos de Ralf, como mostra o documento acima.

2012: foi quando uma proposta da Fiorentina chegou para tirar o volante do Corinthians, por 4,5 milhões de euros ou R$ 15 milhões, na época, em maio. Neste momento, os direitos do jogador se dividiam da seguinte forma: 16,25% do próprio atleta, 16,25% para GP Sports (Allison e André), 52,5% do Corinthians e 15% de Fernando Garcia. A diretoria alvinegra, interessada em ter o atleta para a Libertadores, cobriu a oferta, tendo de pagar para os respectivos o mesmo valor em questão. Acontece, no entanto, que Fernando Garcia ficou sabendo somente meses depois sobre o interesse do time italiano.

“Não me avisaram da proposta. Não existe fazer isso. Eu tinha o direito de vender a minha parte também. Se você tem 1% ou 99%, não importa. Isso chama isonomia. Mas ninguém me perguntou nada e eu fiquei sabendo no mercado. Queriam que eu morresse com os 15%. E fui cobrar”, contou o empresário.

Ele passou o restante do ano em busca do que havia perdido. Entre o imbróglio, Fernando disse que era acionado para ajudar o clube em momentos difíceis, pelas pessoas com quem tinha bom relacionamento, como Andrés Sanchez, que já não era mais presidente. 
“Nunca neguei ajuda ao clube. É o meu time do coração, todo mundo sabe disso. Com a minha empresa ou com o meu dinheiro, sempre ajudei”, afirmou.

2013: no início do ano, Fernando foi pessoalmente na empresa de Roberto de Andrade para resolver a situação. “Ele prometeu me pagar”, afirma. Mas isso não aconteceu. Ligou mais de 20 vezes para Roberto de Andrade, em fevereiro, para tentar mais uma vez. Não foi atendido. Em junho, a questão ainda não havia sido resolvida.

“Fui ao CT, encontrei o Duílio [Monteiro Alves, diretor adjunto], ele disse que ia falar com Mario Gobbi, mas nada de resolver. Estavam de sacanagem comigo. Os dois”. Enquanto isso, o Corinthians comprava Alexandre Pato, por R$ 40 milhões, Renato Augusto, Ibson, Maldonado, Diego Macedo, Rodriguinho e tantos outros.

Foi no dia da despedida de Tite, no dia 19 de dezembro, que Fernando foi ao CT novamente decidido a não sair de lá sem resolver a sua dívida. Sentou com Duílio e com Roberto e avisou: “Se em dez dias vocês não assumirem a dívida que vocês têm, eu vou tomar as providências que eu achar necessárias”. Dez dias depois, a venda dos 15% de Ralf foi, enfim, assinada, pelo valor de R$ 2,16 milhões. Não foi pago, no entanto, a dívida ficou no papel.

Entre toda essa discussão, nesse mesmo ano, Fernando Garcia participou de pelo menos duas outras negociações com o Corinthians: ele ajudou a comprar Uendel da Ponte Preta, dando a possibilidade de o clube pagar em 8 parcelas, e também deu dinheiro e reuniu investidores para o clube fechar com Cleber, também do time de Campinas. Além disso, do seu bolso, sem contar o que envolvia a sua empresa, Fernando (na pessoa física) ainda emprestou milhões, diversas vezes ao alvinegro.

2014: ainda com o argumento que não teria dinheiro para pagar, o Corinthians propôs a Fernando Garcia dar direitos econômicos de jogadores do time para, enfim, encerrar os débitos. “Malcom tinha brilhado na Copinha, mas ainda não tinha ido ao profissional. Eu pedi 40% do jogador para acertar as dívidas”, afirmou o empresário.

No dia 9 de abril, então, a dívida foi resolvida. O empresário, que já tinha 10% de Malcom, ficou com 45% – já que repassou diretamente 5% para parceiros. O clube paulista aceitou e ficou com apenas 30%. Alguns meses depois, Fernando Garcia vendeu 10% para outra empresa e ficou com 35%.

“Dois anos para resolver uma dívida. Roberto e Duílio não quiseram honrar os compromissos. Se esconderam durante todo esse tempo”, finalizou.

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