A presidente Dilma Rousseff (PT) se reuniu com os 27 governadores, entre eles Pedro Taques (PDT), nesta quinta-feira (30). No encontro, ela explicou que o Brasil passa por um “ano de travessia” e, por isso, cobrou dos dirigentes dos Estados um esforço extra a fim de ajudar na superação dos efeitos da crise econômica e na retomada do crescimento das riquezas.
— Estamos em um ano de travessia. Estamos fazendo uma travessia, que vai levar o Brasil para um lugar melhor. Estamos atualizando as bases da economia e vamos voltar a crescer com todo o nosso potencial, com preços mais baixos, emprego em alta, saúde e educação de mais qualidade.
Logo em seguida, a presidente avisou os governadores que tem “o ouvido aberto, enquanto razão, e o coração aberto, enquanto emoção e sentimento, para saber que esse novo Brasil é aquele Brasil que nós queremos, aquele que não se satisfaz com pouco”. A fala foi uma introdução de Dilma para cobrar um esforço redobrado dos comandantes do Executivo estadual contra os efeitos da crise.
— Nenhum governo e nenhum governante pode se acomodar. […] Devemos cooperar cada vez mais, independentemente das nossas afinidades políticas. A cooperação federativa é uma exigência constitucional. […] Devemos respeitar a democracia e devemos somar forças.
Dilma destacou que a queda do preço das commodities — matérias-primas básicas, das quais o Brasil é grande produtor — desencadeou o cenário adverso das contas públicas brasileiras.
— Sabemos que a partir da segunda metade de 2014, mais precisamente em agosto, houve um fato importante no cenário internacional que foi o colapso do preço das commodities. Teve um desempenho que se acelera nos últimos meses. Caiu [o preço do] minério de ferro, soja, petróleo, caíram vários preços que são importantes nos Estados aqui presentes. […] A taxa de câmbio subiu em torno de 49% em termos nominais, então houve uma forte desvalorização nas moedas no Brasil e no mundo. Agora, é a vez da China passar por várias dificuldades. Tudo isso que estou falando não é desculpa para ninguém. […] Não podemos nos dar o luxo de ignorar a realidade.
Dilma afirmou que a retomada do crescimento do PIB (Produto Interno Bruno, que é a soma das riquezas do País) depende, inicialmente, do controle dos preços em geral. Em seguida, afirmou, as vendas de produtos para o exterior e o incentivo ao investimento em infraestrutura no País vão contribuir com o reajuste das contas públicas.
— O primeiro passo é garantir o controle da inflação, que corrói tanto a renda dos trabalhadores como o lucro das empresas, e restabelecer o equilíbrio fiscal. […] A expansão das exportações vai dar início à retomada do crescimento e pretendemos que essa expansão se dê tanto na área de commodities como em manufaturas. […] Também adotamos medidas de incentivo ao investimento, com o recente programa que fizemos com investimento em infraestrutura.
Para 2016, a presidente projetou ainda que o recuo da inflação combinada com a expansão das riquezas vai “criar as bases para um novo ciclo de expansão sustentada do crédito”.
— Esperamos que a retomada do crescimento do crédito contribuirá para o aumento do consumo das famílias de forma sustentável a partir de 2016. Essas são as bases de um novo ciclo de desenvolvimento.
Segurança pública
Dilma aproveitou o encontro com os governadores para firmar um pacto pela melhoria dos indicadores de segurança no País, especialmente relacionados aos crimes contra a vida. A presidente pediu uma “uma cooperação federativa em duas questões fundamentais”.
— Primeiro, contra a violência num pacto nacional pela redução de homicídios. Essa proposta tem origem no fato de o Brasil ser o hoje o país com o maior número absoluto de homicídios. […] A cada dez minutos, uma pessoa é assassinada no País. […] A segunda cooperação é a entre os poderes para redução do déficit carcerário e a reintegração social do preso. O Brasil teve um acelerado crescimento da população carcerária de 7% ao ano. Enquanto os outros países reduzem, temos uma ampliação da população prisional.
