Dia Nacional contra o tabagismo: Ex-fumantes contam como largaram o cigarro

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Mais de 6 milhões de pessoas morrem por ano porque fumam, de acordo com a Organização Mundial de Saúde

 

O Dia Nacional de Combate ao Fumo – 29 de agosto – há 19 anos é um alerta aos que ainda não abandonaram esta prática, prazeirosa, mas que mata por ano mais de 6 milhões de pessoas de acordo com estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Sendo assim, o tabagismo está entre os mais preocupantes problemas sociais no mundo.

Mas como parar de fumar, após anos de tabagismo?

Quem conseguiu afirma que é difícil mas possível.

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Batalha é difícil, avisa Wagner 

O advogado e funcionário público Antônio Wagner Oliveira, cuiabano, 36, está “limpo” há 1 ano e 8 meses. Fumava um maço e meio em média por dia desde 18 anos regularmente de uma das marcas mais fortes.

Fumante por quase 2 décadas, de repente decidiu parar. “Percebi que o fumo não leva a nada, que é um gasto só para ficar doente”, justifica o advogado Antônio Wagner.

E foi assim que ele iniciou uma verdadeira “batalha”. Recaiu por 2 vezes, tentativas frustradas. Esta é a terceira e se considera “firme” no propósito.

“Os 3 primeiros meses são os piores. Você pode usar medicamento oral, comprimidos ou adesivos, que quebram a ligação neural entre desejo e o impulso de fumar, medicamento que aliás é muito bom, mas o que conta mesmo é a perseverança. Não tem nada fácil, é firmar o pensamento mesmo,” orienta.

Outra coisa que ele ressalta é que um ex-fumante é um eterno viciado. “Saiba disso. Não pode cair na besteira de dar um trago em uma festa ou no bar com amigos, você é um eterno viciado, não pode se dar ao luxo de experimentar um trago, porque, pode ter certeza, vai voltar a fumar”, alerta.

Antônio Wagner não engordou neste 1 ano e 8 meses sem tabaco. “Mas fiquei muito triste no início, não tinha vontade nem de comer, o segundo mês foi muito punk, tive que tomar anti-depressivo, mas, como estava ficando esquecido, acabei parando de usar, porque estava me atrapalhando também. Pensei assim: não posso trocar uma droga por outra”, detalha.

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Luciana, há 10 anos longe do cigarro

“Travei uma batalha mesmo para deixar de fumar, ainda mais que sou muito ansioso e tenho muitos problemas dos outros para resolver e já passei fases de crise e mesmo assim me mantive firme. Estou me sentindo altivo por isso”, comemora.

Já a designer Luciana Machado, 33, já está há 10 anos longe do cigarro. Começou a fumar na faculdade, na roda de amigos, no entanto, mais madura, quis parar.

“Comecei a fumar na faculdade, ambiente propicio. A gente saía durante os intervalos e todos os colegas iam ao fumódromo da facul, quase impossível não entrar no clima, eu tinha uns 20 anos, era um momento de socialização entre alunos e vários professores também”, relembra.

Para parar, usou a estratégia de ir diminuindo. Depois, ficou irritada com o preço do cigarro.

“A convivência com pessoas fumantes influencia. Quanto tentei parar, às vezes aconteciam algumas recaídas, mas depois de algum tempo acabou isso também. Além disso, manter o vício hoje em dia é bem mais caro que antes”, observa.

Luciana está feliz por ser ex-fumante. Porém engordou de 10 a 15 quilos. Supõe que não tenha sido somente isso que a fez engordar mas também a perda da mãe, no mesmo período, e mudança de vida.

“A comida ajudou a dar conforto nesse momento”, avalia.

A data

Nesta terça-feira (29) é lembrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo. A data foi instituída em 1986 e tem como objetivo conscientizar a população sobre os danos causados à saúde pelo uso do tabaco. Estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 6 milhões de mortes acontecem todos os anos no mundo devido ao tabagismo.


Mais de 4,7 mil substâncias em uma tragada

Com mais de 4,7 mil substâncias presentes em sua composição, o cigarro está relacionado a doenças do sistema cardiovascular, como infartos, derrames e acidentes vasculares cerebrais (AVC); além de cânceres de boca, pulmão e de laringe. As doenças respiratórias mais recorrentes e associadas ao tabaco são enfisemas pulmonares, bronquite, infecções respiratórias e até embolia pulmonar.

Os malefícios não são notados apenas a longo prazo, algumas alterações no organismo podem ser percebidas no cotidiano de quem fuma. “As decorrências podem aparecer imediatamente com o aumento da pressão arterial, alterações de glicemia, mudanças no olfato e no paladar, na textura da pele, queda de cabelos”, descreve Sérgio Pontes, da Aliança Instituto de Oncologia.

Estudos recentes constataram que o cigarro pode prejudicar até mesmo o canal auditivo causando, a longo prazo, zumbidos na região. A otorrinolaringologista Aliciane Mota explica que os fumantes são mais propensos a apresentarem otites – inflamações do ouvido – de repetição, rinites alérgicas, sinusites, faringites, câncer de boca e de laringe. “Aqueles que já sofriam com rinites e sinusites antes de fumar têm o quadro agravado com o tabagismo”, ressalta a médica do Instituto Brasiliense de Otorrinolaringologia (IBORL).

Passo a passo para largar o cigarro

– Estar motivado a sair do vício. Não adianta a família mobilizar médicos e/ou investir se o paciente não estiver realmente determinado a parar de fumar;

– Diminuir gradativamente o número de cigarros;

– Evitar carregar o maço ou a carteira de cigarro;

– Evitar deixar cinzeiros em casa;

– Evitar qualquer substância que possa estimular o fumo, tais como café e bebida alcoólica;

– Durante a motivação, falar para as pessoas próximas que está tentando parar de fumar, afim de ajudar no policiamento e no controle. (Com informações da Assessoria de Imprensa da IBORL)

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