Bolsa Família não reduz pobreza, diz ministro

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O ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, afirmou ontem que o Bolsa Família não reduziu a pobreza nem a desigualdade no País. “A existência dos programas de transferência de renda não foi suficiente para reduzir a pobreza, só a pobreza extrema, mas não reduziu o número de pobres. A pobreza no Brasil continua intacta. Não reduziu a desigualdade no Brasil nesses 14 anos de Bolsa Família”, afirmou.

O ministro participou junto com o presidente Michel Temer de um evento sobre microcrédito para beneficiários de programas sociais. Terra disse que o governo está estudando um reajuste acima da inflação, que pode até ser “um pouco mais” de 5% para compensar o aumento do preço do gás de cozinha. Em 2017, a inflação oficial fechou em 2,95%. Segundo ele, o aumento deve vigorar a partir do final de abril ou em maio.

No mês passado, Temer pediu a Terra e ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, estudos que permitam redução no preço do gás de cozinha para beneficiar famílias de baixa renda. De acordo com dados do IBGE, o gás de botijão pesa 1,32% no orçamento das famílias, no acompanhamento do índice oficial de inflação (IPCA), que considera família com renda de até 40 salários mínimos e abrange dez regiões metropolitanas do País. O peso do gás encanado no orçamento familiar é bem menor: 0,07%.

De 2003 a agosto de 2015, o preço por botijão cobrado pela Petrobrás das distribuidoras ficou congelado em cerca de R$ 11,50. Até 2016, permaneceu num patamar de R$ 13. O preço cobrado do consumidor final, porém, era bem mais alto. O histórico dos reajustes mostra que, entre 2003 e 2016, o preço final do gás cobrado pelas revendedoras acumulou reajuste médio de 89%, saltando de R$ 29,35 para R$ 55,60 o botijão. Nesse mesmo período, o aumento realizado pela estatal foi de apenas 16,4%. Atualmente, em Brasília, o preço do botijão de gás está entre R$ 85 e R$ 95.

O ministro lembrou que quando o presidente Temer chegou ao governo houve um reajuste de 12,5% no benefício “depois de dois anos sem reajuste” e afirmou que com a queda da inflação o poder de compra aumentou e agora é preciso “completar esse processo com novo reajuste”. 

Microcrédito. Em seis meses, a população de baixa renda pegou quase R$ 2 bilhões em microcrédito para financiar pequenos negócios, anunciou ontem o ministro. Esse é o primeiro levantamento do Plano Progredir, um pacote de medidas do governo federal para buscar a autonomia de famílias de baixa renda, principalmente os beneficiários do Bolsa Família e inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do governo. Além de financiamento, o programa reúne também ações para ajudar na qualificação profissional e no acesso ao mercado de trabalho.

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