Após polêmica, um milhão de franceses deixam de tomar remédio para tireoide da Merck

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© Fournis par RFI

A polêmica que sacudiu o verão dos franceses no ano passado – a alteração da fórmula do Levothyrox, produzido pelo laboratório alemão Merck – volta à tona nesta sexta-feira (9). Cerca de um milhão de pessoas deixaram definitivamente de utilizar o medicamento da Merck depois do episódio.

O Levothyrox da Merck teve sua fórmula alterada em 2017 sem que os usuários fossem informados. Depois de efeitos colaterais relatados por milhares de pacientes, a empresa alemã voltou a disponibilizar a antiga fórmula – o que não foi suficiente para abafar a revolta. Cerca de um milhão de pessoas deixaram definitivamente de adquirir o medicamento da Merck, segundo a associação francesa Viver Sem Tireoide, um número que é contestado pelo governo francês. 

Segundo o Ministério francês da Saúde, esse número é menor; apenas 500 mil teriam desistido da nova fórmula. No total, há três milhões de pessoas na França com hipotireoidismo que utilizam a levotiroxina sódica para reposição ou suplementação hormonal. 

Devido à revolta dos consumidores, as autoridades sanitárias passaram a disponibilizar outros tratamentos, já que a Merck exercia uma espécie de monopólio da levotiroxina sódica. A antiga fórmula da empresa alemã voltou brevemente às prateleiras das farmácias, mas a procura por ela foi tão grande, que se tornou praticamente impossível encontrá-la alguns meses após o escândalo.  

Entenda o escândalo 

O Levothyrox alterado começou a chegar às farmácias francesas em abril de 2017. Na nova versão do produto, o excipiente passou a contar com o ácido cítrico anidro e o manitol. Em contrapartida, o princípio ativo do produto – a levotiroxina sódica -, não foi alterada. 

Na época, nenhuma comunicação sobre a alteração foi realizada pela Merck. Muitos médicos chegaram a revelar que eles foram proibidos de comunicar seus pacientes.

Alguns meses depois da mudança, milhares de pessoas começaram a relatar diversos problemas como cansaço extremo, perda de memória, dores de cabeça, dores musculares, tontura, queda de cabelo, e até mesmo sintomas de depressão. Muitos especialistas minimizaram as reclamações, alegando que a mudança no excipiente não poderia causar tantos efeitos colaterais. 

Segundo a Agência Nacional da Segurança do Medicamento da França (ANSM), a alteração foi feita para deixar o produto mais estável. No entanto, associações e pacientes especulam se a modificação teria sido feita para reduzir os custos de produção do medicamento. 

Fórmula não foi alterada no Brasil

No total, sete mil pessoas registraram efeitos colaterais com a nova fórmula na França. O país, aliás, foi o único em que o Levothyrox alterado foi comercializado. 

No Brasil, a levotiroxina sódica produzida pela Merck é comercializada com o nome de Euthyrox. No entanto, o medicamento vendido no país não sofreu nenhuma alteração. 

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