Arcanjo volta ao banco dos réus essa semana

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Após 13 anos dos assassinatos do empresário e radialista Rivelino Jacques Brunini e Fauze Rachid Jaudy, e da tentativa de homicídio cometida contra Gisleno Fernandes, o ex-comendador João Arcanjo Ribeiro e outros dois acusados enfrentarão o tribunal do júri nessa quinta-feira (30). O julgamento ocorrerá no Fórum da Capital, sob a presidência da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, e tem início marcado para 8h.

Ao todo, cinco pessoas foram acusadas pelos crimes, porém somente Hércules Agostinho Araújo foi condenado pela Justiça estadual até o momento. Nesta quinta-feira serão julgados Arcanjo, o ex-pistoleiro Célio Alves Araújo e o uruguaio Júlio Bachs Mayada. O quinto suspeito, o ex-coronel Francisco Carlos Lepeuster, morreu em setembro de 2007, vítima de câncer.

Promotor de Justiça Vinícius Gahyva destaca que os autos não deixam dúvidas sobre a participação de cada acusado nos crimes cometidos contra as três vítimas. O processo conta com 29 volumes e trazem provas sobre o envolvimento de Arcanjo no mando das mortes.

O promotor explica que processos envolvendo o crime organizado trazem provas diferenciadas, quando comparados com os autos de um crime praticado por pessoa comum. “São crimes praticados com cuidado para garantir a impunidade dos envolvidos. Ainda assim, o processo é repleto de informações que demonstram a participação de cada acusado”.

Gahyva destaca que líderes de organizações criminosas como a comandada por Arcanjo não costumam se mostrar perante os atos criminosos que cometem. Muitas vezes, participantes da mesma organização sequer chegam a se conhecer, sempre com foco na proteção do grupo, favorecendo a impunidade.

Entre os elementos que certificam o envolvimento dos acusados nas mortes de Rivelino e Fauze e tentativa contra Gisleno estão os vários depoimentos de Hércules, que figurava como braço armado da organização de Arcanjo. Inicialmente, ele confessou o crime e apontou os envolvidos em vários homicídios.

Em depoimentos posteriores, Hércules mudou a versão. Porém, o promotor frisa que as informações prestadas pelo ex-pistoleiro têm compatibilidade perante outros elementos da história. “Não é segredo que Hércules foi ameaçado diversas vezes”.

A denúncia do MPE aponta que a morte de Rivelino foi determinada por Arcanjo diante da rebeldia da vítima em relação ao esquema de máquinas caça-níqueis em Mato Grosso.

O promotor relembra que Arcanjo não explorava o serviço propriamente, mas comandava todo o esquema. Era o ex-comendador quem concedia as autorizações para os interessados em explorar os jogos, além de oferecer a segurança aos negócios e os trabalhos de contabilidade. “Arcanjo tinha controle de toda a situação”.

Rivelino também fazia parte do esquema e estaria tentando, juntamente com pessoas do Rio de Janeiro, tirar o poder do ex-comendador.

O MPE aponta que o comando para que o empresário fosse morto foi dado a Júlio e Lepeuster, que intermediaram a contratação de Célio e Hércules para o trabalho de pistolagem.

As vítimas foram atacadas no dia 5 de junho de 2005 em frente a uma autoelétrica na avenida Historiador Rubens de Mendonça (avenida do CPA). O alvo era Rivelino, que foi atingido por cinco tiros quando seguia para o carro dele, um Santana azul. Ele morreu na hora. Fauze estava em companhia do empresário e também foi baleado. Socorrido e levado para o Pronto-Socorro de Cuiabá, foi a óbito horas depois quando passava por uma cirurgia.

Gisleno foi baleado no peito e sobreviveu. Durante o julgamento de Hércules, em março de 2012, ele contou que atirou contra Gisleno porque o confundiu com um segurança, porém garantiu que não teve a intenção de matá-lo, apenas impedi-lo de reagir.

A vítima era funcionária de Rivelino, assim como Fauze. Os três haviam passado na autoelétrica para verificar um dos carros do empresário e seguiriam para Chapada dos Guimarães (67 km ao norte de Cuiabá) para realização de um trabalho.

Logo no início das investigações, a Polícia relacionou os crimes com o esquema das Máquinas Caça-Níqueis. Também em 2002, em 27 de abril, o sargento José Jesus de Freitas, 38, e seus seguranças Fernandes Leite das Neves, 28, e Nailton Benedito de Sousa, 41, foram executados. A princípio, acreditava-se em ligação entre os crimes, uma vez que Jesus também tinha envolvimento com Arcanjo e Caça-Níqueis. Porém, estes crimes foram cometidos por Célio, que se sentia ameaçado pelo ex-colega de farda, e chamou Hércules para ajudar no serviço de cunho particular.

Pelas mortes de Rivelino e Fauze e tentativa de homicídio de Gisleno, Hércules foi condenado a 45 anos de prisão. Por todos os assassinatos cometidos, ele soma 201 anos e oito meses de prisão.

Por este mesmo crime, Hércules e Júlio já haviam sido julgados pela Justiça Federal em 2004, porém o tribunal do júri foi anulado.

A decisão para que Arcanjo enfrentasse o júri popular pelas mortes de Rivelino e Fauze é de 18 de maio de 2010. Diante dos diversos recursos protocolados pela defesa, o processo chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e só retornou à primeira instância em janeiro de 2015. O julgamento foi marcado no dia 16 de junho.
 

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