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| foto/João Vieira Laudos da Politec apontaram falhas e desvios de função como causadores do acidente |
O desvio de função e o não cumprimento das normas de segurança pela empresa Etel Engenharia, Montagens e Automação estão entre os fatores que provocaram o acidente e a morte do operário Muhammad Ali Maciel Afonso,32, vítima de um choque elétrico enquanto trabalhava na Arena Pantanal no dia 8 de maio deste ano. A conclusão consta dos laudos da perícia técnica e criminal realizada pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) que já estão em posse dos advogados da família da vítima. Nos próximos dias, vão processar a empresa ingressando na Justiça com uma ação indenizatória.
Três meses depois do acidente, o inquérito policial ainda não foi concluído. A Politec informou ao Gazeta Digital que enviou o laudo da perícia para Polícia Civil no dia 2 de junho. O delegado responsável pela investigação, Antônio Esperândio, da 2ª Delegacia do Carumbé, não comentou se existe previsão para concluir o inquérito. Ele está em viagem e só retorna a Cuiabá na próxima semana.
No dia do acidente, os familiares do trabalhadores denunciaram que ele fora contratado para desempenhar a função de montador, mas estava trabalhando como eletricista, sem ter formação ou capacitação para atuar como eletricista. A ETEL divulgou nota no mesmo dia alegando que Afonso tinha recebido treinamentos e “estava apto para o exercício da função de eletricista, dando início a uma nova fase de sua carreira”.
A conclusão da perícia técnica (SRTE/MT) aponta que “um conjunto de fatores-causais levou a ocorrência deste acidente fatal, todos relacionados às medidas de segurança que não foram implantadas pela empresa”. E destaca que “se não houvesse desvio de função ou houvesse capacitação/qualificação do trabalhador ou se houvesse o uso de EPIs e EPCs adequados ou se houvesse dado a devida importância a choque elétrico para o cargo de montador nos programas de segurança da empresa (PPRA, PCMSO, PTS) ou usado disjuntor tipo DR no quadro que alimenta o circuito que eletrocutou a vítima, infere-se que não teria ocorrido o acidente fatal”, consta no laudo pericial divulgado pelo advogado da família do trabalhador, João Carlos Polisel.
Ainda de acordo com o advogado, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso as vistoriar na obra detectou diversas irregularidades, desvio de função e aplicou 50 autos de infração à Etel Engenharia. “Foi constatada que a normas de segurança eram descumpridas. É grave, não é uma coisa simples, são normas de segurança”, destaca o advogado explicando que a escada utilizada pela vítima era metálica e estava improvisada com colorida enrolada no pé pra não deslizar sobre o chão. “Como que mandam um empregado sem qualificação passar a fiação num local onde a rede elétrica está ligado?”, questiona.
Os laudos destacam diante do cenário, “era óbvio que a qualquer momento ocorreria um grave acidente na mencionada obra, como de fato ocorreu no caso do Muhammad’ali, conforme restou comprovado pelas perícias realizadas em conjunto pela Politec e SRTE/MT”. O advogado ressalta que o não cumprimento das normas de seguranças pode refletir também na qualidade dos serviços prestados. “Por se tratar de instalações elétricas, podem ocasionar diversos problemas ou mesmo acidentes”, pontua.
Divulgação![]() Em nota divulgada no dia do acidente dizia que vítima estava apta a atuar como eletricista |
Entenda o caso – Muhammad trabalhava na instalação elétrica de uma luminária no 2° andar do setor leste do estádio que sediou 4 partidas da Copa do Mundo em junho quando sofreu uma descarga elétrica de 220w. Chegou a ser socorrido por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Corpo de Bombeiros ainda dentro da Arena, mas não resistiu a uma parada cardiorrespiratória e morreu no local.
No mesmo dia, o Ministério do Trabalho e Emprego foi acionado para inspecionar a obra e no dia seguinte interditou os trabalhos na parte elétrica até a empresa comprovar que cumpria todos os protocolos para garantir a segurança dos funcionários. Afonso trabalhava para a empresa Etel, que faz parte do consórcio CLE, responsável pela instalação dos equipamentos de Tecnologia, Informação e Comunicação (TIC) do estádio.
Outro lado – A empresa ETEL ainda não se pronunciou sobre o resultado dos laudos da perícia.

