Greve da Sema pode causar prejuízo de R$ 2 bilhões

Data:

Compartilhar:

A greve de 420 servidores da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) pode causar um prejuízo de R$ 2 bilhões no setor madeireiro em Mato Grosso. Atualmente, o comércio de madeira legalizada corresponde a 5% da economia do Estado.

Conforme o presidente do Centro de Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (Cipem), João Carlos Baldasso, com a paralisação na Sema, o plano de manejo (licença para retirada das toras de madeira) fica comprometido, refletindo drasticamente no setor.

"Caso os trabalhadores não voltem às atividades, estimamos que, nos próximos quinze dias, mais de dois mil funcionários possam ser despedidos. A situação é de insegurança e preocupação, além de gerar um problema social gigantesco", afirmou Baldasso.

Segundo o Cipem, Mato Grosso retira, anualmente, 4 milhões de m³ de madeira, principalmente nas regiões Norte e Noroeste. Porém, em função da não-liberação de licenças por parte da Sema, até o momento, foi retirada só metade dessse montante.

Outro ponto é que, agora, com a mudança de estação – saída do verão e entrada da primavera -, é a época mais indicada para a colheita.

"Nós já estamos no final de julho, e mais para o fim do ano começam as chuvas, o que vai dificultar a colheita. E, se atrasar para 2012, fica ainda pior, já que fevereiro e março são, por lei, períodos proibitivos e restritivos. A madeira não é igual à soja e não podemos descumprir a legislação, que pode incidir em sanções ainda maiores", analisou Baldasso.

Tentativa de conciliação 

Conforme o presidente do Cipem, tentativas de mediar um acordo entre os grevistas e o Governo do Estado foram feitas, porém em vão.

Enquanto os 420 servidores concursados da pasta não abrem mão de readequação salarial, o Estado vem informando que não fará acordo algum com categorias que estiverem em greve. Na semana passada, o movimento chegou a ser suspenso para se tentar um acordo, sem sucesso.

"Não queremos tomar partido de nenhum dos dois, tentamos mediar a situação, mas não adiantou nada e estamos muito apreensivos com o que vai ocorrer", afirmou João Carlos Baldasso.

Outro lado

O porta-voz do comando de greve, Murilo Morgandi Covezzi, foi procurado para comentar da situação dos madeireiros, porém não foi encontrado pela reportagem.

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Administração (SAD), reafirmou que o posicionamento é o mesmo com qualquer categoria em greve: o de não negociar enquanto os servidores estiverem de braços cruzados.

Além disso, segundo a SAD, caso alguém ou alguma entidade se sinta prejudicado com a greve, é possível entrar com pedido de ilegalidade do movimento na Procuradoria-Geral do Estado.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Notícias relacionadas