Mato Grosso está, de novo, no topo da lista. Agora, nos dados oficiais do Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), divulgado na segunda-feira. O representante da vez é o município de Itauba, na região Norte do Estado. A cidade é uma das “campeãs” de redução populacional: em 10 anos, o número de habitantes caiu praticamente pela metade. A cidade tinha 8.565 pessoas e agora está com 4.570 – uma queda de 46%. A cidade foi “massacrada” pela onda ambiental de preservação das florestas.
Distante 570 quilômetros de Cuiabá, as margens da BR-163 no km 907, Itauba só perdeu, no Brasil, em fuga populacional para Maetinga, na Bahia, que teve um declínio de 48,63%. Criado pela Lei Estadual n° 5.005, de 13 de maio de 1986, a cidade já pertenceu a um dos maiores municípios do mundo em extensão territorial, Chapada dos Guimarães.
A economia municipal se baseia hoje na pecuária intensiva, com sistema de cria, recria e engorda. Na agricultura as culturas principais são o arroz e milho, secundados por culturas de subsistência, vem sendo diversificados outros cultivos, principalmente o plantio de soja, o município tem 70% de terras planas mecanizáveis. Mas era vigorosa quando se podia extrair madeira por todos os lados. Itauba era um dos principais centros fornecedores de madeira de Mato Grosso.
O prefeito Raimundo Zanon diz que a mudança da legislação e as operações ambientais fecharam 15 grandes madeireiras na cidade. Resultado: sem emprego, os habitantes deixaram a cidade. Os efeitos dessa redução estão diretamente ligados a sobrevivência do município, que deverá ter redução considerável no repasse do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM, a partir do ano que vem. Zanon já prevê que muitas instalações municipais, como escolas, creches e hospitais, terão dificuldades de funcionamento.
Esse problema não está restrito apenas a Itauba. Correm riscos semelhantes os municípios de Novo São Joaquim, que perdfeu 36,15%, da população; Aripuanã, no extremo Noroeste do Estado, com queda de 32,58%; Porto Estrela,no Oeste do Estado, que reduziu 22,69%; Nova Brasilândia, no centro-sul, com 20,62% a menos; Araguainha, no Vale do Araguaia, com menos 19,01%; Jauru, menos 18,04%; Terra Nova do Norte; menos 17,47%; e Marcelândia, menos 16,99%, além de Salto do Céu, menos 16,51%.
Por outro lado, quatro municípios do Estado estão na lista dos que tiveram crescimento populacional de forte impacto. O primeiro é Lucas do Rio Verde, que cresceu 135,79%. O município saltou de 19.316 para 45.545. Lucas é é considerado hoje um município-modelo que ocupa lugar de destaque no ranking dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. A agro industrialização do município é considerado o principal fator para ter atraído grande quantidade de pessoas para a cidade, que buscam trabalho.
Detalhe: até o final dos anos 90 a cidade não era servida de rede de energia elétrica, possuindo apenas motores geradores a óleo para o abastecimento da cidade
No ranking do crescimento, ainda aparecem Sapezal, com 129,85%, Nova Mutum, com 113,48%; e Juruena, com 106,85%. De todos, Juruena é o que mais surpreendeu em termos de crescimento, já que Sapezal e Nova Mutum são cidades com o mesmo perfil econômico. A base econômica é a indústria madeireira que absorve grande parte da mão-de-obra da área urbana, em torno de 60%, sendo o comércio formal a segunda fonte de absorção da mão-de-obra, 15% aproximadamente. Na agricultura destacam-se as culturas de arroz milho, café, mandioca, pupunha, abacaxi (para subsistência), produzindo ainda em pequena escala, árvores frutíferas.
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