Globo é condenada a pagar R$ 170 mil a psicólogos por notícias sobre cura gay

Data:

Compartilhar:

A homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde em 1990 © Mídia Ninja A homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde em 1990

O TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) condenou a TV Globo a pagar R$ 170 mil em indenização por danos morais a psicólogos que se sentiram prejudicados por reportagens sobre terapias de conversão sexual – o que ficou conhecido popularmente como “cura gay”.

Na ação, 1 grupo de 15 pessoas alega que uma ação popular proposta por eles foi equivocadamente retratada pela TV Globo.

A sentença, publicada na 3ª feira (22.jan.2019), é do juiz Julio Roberto dos Reis, da 25ª Vara Cível de Brasília. A medida cabe recurso. Eis a íntegra.

Ação popular deu origem ao processo

O tema “cura gay” ganhou grande repercussão na mídia a partir de 15 de setembro de 2017, quando o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, permitiu que, na prática, os psicólogos oferecessem o procedimento de “(re)orientação sexual”.

Uma das autoras do processo é a psicóloga e missionária Rozângela Alves Justino. Ela já pediu ao Conselho Federal de Psicologia que suspendesse norma do colegiado que proíbe o procedimento. A “cura gay” é proibida pelo órgão desde 1999.

liminar concedida pelo juiz de Brasília atendeu, de forma parcial, a uma ação popular de 2009. O processo foi movido por Rozângela.

Em 22 de setembro de 2017, o Conselho Federal Psicologia recorreu da liminar do juiz. Para o órgão, terapias de reversão sexual representam “uma violação dos direitos humanos e não têm qualquer embasamento científico”.

Dois meses depois, em 15 de dezembro de 2017, uma nova decisão do TJDFT determinou que pessoas com “orientação sexual egodistônica” – ou seja, que veem a própria orientação sexual como uma causa de sofrimento e angústia – pudessem receber atendimento em consultórios, e que profissionais podem promover estudos sobre o tema.

O processo contra a TV Globo

As reportagens citadas no processo foram veiculadas pelo Jornal Nacional, em 18 de setembro de 2017, e pelo Fantástico, em 24 de setembro daquele ano.

Os psicólogos argumentaram que não se tratava de intervenção judicial para curar homossexuais, e sim para tratar os “egodistônicos” e que desejam tal tratamento.

Disseram que os programas teriam causado danos à imagem dos autores, sem que eles pudessem se defender.

A TV Globo alegou que as reportagens se limitaram a citar frases retiradas dos autos da ação popular e entrevistar especialistas que falaram sua opinião acerca do tema. A empresa apontou que muitas das opiniões criticadas pelos autores foram ditas pelo Conselho Federal de Psicologia, e não pela emissora.

Ao analisar as reportagens, o juiz entendeu que a TV Globo divulgou a ação popular de maneira tendenciosa e ofensiva aos psicólogos.

“A empresa demandada exerceu juízo de valor e atacou a reputação dos psicólogos, reputando a prática de charlatanismo, bem como distorcendo a finalidade da ação popular ajuizada simplesmente porque acreditou que a finalidade desta fosse considerar a homossexualidade uma patologia”, escreveu o juiz na sentença.

Os psicólogos havia pedido R$ 900 mil de indenização, mas o juiz considerou excessivo.

No final, foi determinado indenização por danos morais no valor de R$ 30.000 a Rozângela, que teve a imagem mais exposta nas reportagens, e R$ 10.000 para cada 1 dos outros 14 psicólogos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Notícias relacionadas

Com selo diamante, Nova Santa Helena fortalece vacinação com novo veículo

O município de Nova Santa Helena alcançou um importante reconhecimento na área da saúde ao conquistar o selo...

Nova Santa Helena conquista novos ônibus escolares e reforça transporte para estudantes da zona rural

A educação de Nova Santa Helena acaba de ganhar um importante reforço. Dois novos ônibus escolares passam a...