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O empresário Giovani Belatto Guizardi, um dos presos na Operação Rêmora, afirmou em termo de colaboração premiada firmado junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) que a organização criminosa que funcionava na Secretaria Estadual de Educação (Seduc), sob o comando do então secretário Permínio Pinto (PSDB) foi criada em 2015 com intuito de “arrecadar fundos ilícitos para pagar dívidas não declaradas da campanha eleitoral de 2014.
Na delação premiada, Guizardi diz que não partiu dele a ideia de criar a organização criminosa, mas acabou envolvido no esquema e participou. O alvo eram fraudes e direcionamento de licitações da Seduc para reformas e construções de escolas estaduais. Conforme a denúncia do Ministério Público, os envolvidos cobravam entre 3% e 5% de propina de empreiteiros para que “vencessem” as licitações.
Em depoimentos já prestados na ação penal que tramita na 7ª Vara Criminal, empresários arrolados pelo Ministério Público como testemunhas de acusação afirmaram que nos casos de contratos já em andamento firmados no governo passado, os membros da organização criminosa, em especial o ex-servidor comissionado da Seduc, Fábio Frigeri, começaram a exigir pagamento de propina para conseguir receber os pagamentos por medições de obras já realizadas.
Guizardi, que é dono da Dínamo Construtora, afirma na delação que foi inserido na quadrilha pelo empresário Alan Malouf. Destaca que a organização criminosa já existia e era operada por Permínio Pinto, Fábio Frigeri, Leonardo Guimarães Rodrigues e Ricardo Sguarezi.
Marcus Vaillant/A Gazeta![]() |
Conforme Giovani Guizardi, Alan Malouf confidenciou para ele que investiu a quantia de R$ 10 milhões na campanha do atual governador Pedro Taques, valor este não declarado.
Conforme o delator, Malouf disse ainda que o valor investido na campanha de Taques teria que ser recuperado. Giovani Guizardi também informa que doou R$ 300 mil à campanha de Pedro Taques, valor entregue em espécie nas mãos de Alan Malouf. Ele não sabe dizer se tal quantia foi declarada ou não nas contas de campanha do governador tucano.
Questionado pelos membros do Ministério Público sobre os motivos de ter doado tal quantia para a campanha do hoje governador, Guizardi respondeu que tem o costume de fazer esse tipo de doação para não ter “dificuldades” nas atividades junto ao governo. Argumentou ainda que essa prática é comum entre os empresários.
Por fim, Giovani Guizardi revelou ainda que na campanha do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), preso ha 1 ano e 2 meses por corrupção, ele doou cerca de R$ 1 milhão. Consta ainda na delação que em março de 2015 Giovani Guizardi procurou Alan Malouf e pediu que sua empresa pudesse “trabalhar” em obras da Seduc.
Guizardi estava preso em Cuiabá desde o dia 3 de maio deste ano quando o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Rêmora.
Nesta quinta-feira (1º), a prisão preventiva dele decretada pela juíza titular da 7ª Vara Criminal de Cuiabá foi convertida em prisão domiciliar.


