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Engenheiro relata encontros na Dínamo

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A Gazeta


Em depoimento prestado aos delegados e promotores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) um engenheiro eletricista relatou ter visto os ex-servidores Fábio Frigeri e Wander Luiz dos Reis se reunindo com o empresário Giovani Guizardi. Os encontros, pelo menos três, teriam ocorrido em uma sala alugada pelo engenheiro e dividida com Guizardi, no bairro Santa Rosa. Ele é a primeira testemunha a confirmar encontros entre os três acusados de participação em um esquema de fraudes a licitação fora da Secretaria de Estado de Educação (Seduc). O depoimento faz parte da peça acusatória que está sendo preparada dentro da Operação Rêmora. A expectativa é que os acusados sejam denunciados já na próxima semana.

E.F.S. procurou o Gaeco após a deflagração da operação de forma espontânea. Ele revelou que foi contratado para atuar como engenheiro na empresa do pai de Giovani, que funciona no mesmo imóvel da Dínamo Construtora. Em agosto do ano passado, ele teria sido procurado por Giovani, que lhe pediu para alugar em seu nome uma sala comercial, para que pudessem ser realizadas reuniões “mais reservadas”. O imóvel, ao custo mensal de R$ 2,3 mil, foi locado e passou a ser dividido entre E. e o empreiteiro.

Após a locação, Giovani teria usado a sala poucas vezes, mas E. assegura ter visto Fábio e Wander reunidos com Giovani em pelo menos três ocasiões. O engenheiro disse não saber do que se tratavam os encontros, uma vez que não participava deles. Embora os dois ex-servidores, responsáveis na Seduc pelas obras das instituições de ensino, estivessem na maior parte das reuniões com Giovani juntos, E. salientou ter visto Wander no local em outros encontros.

Para o Gaeco, o depoimento é bastante esclarecedor e aponta pela primeira vez para a realização de tratativas entre os três, todos presos atualmente no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), fora do âmbito da Secretaria, contradizendo o que Wander havia declarado em depoimento prestado nesta semana.

Ontem (13), os delegados e promotores ouviram Giovani e finalizaram esta etapa da investigação. A oitiva foi considerada pouco esclarecedora e não contrapôs as provas já levantadas, que incluem uma série de telefonemas e dois vídeos, um com uma reunião em que os empreiteiros “loteavam” as obras da Seduc entre si e outro em que um empresário paga uma suposta propina, no valor de R$ 4 mil, a Giovani.

Conforme o coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Marco Aurélio Castro, a formação do cartel para a participação nos processos licitatórios já está “resolvida”. Em uma nova fase das investigações, o Grupo quer apurar os indícios de lavagem de dinheiro, que já surgiram neste primeiro momento. Além disso, o Gaeco vai analisar os contratos mantidos por Guizardi com a administração estadual, uma vez que embora fosse responsável por arrecadar a propina dos empresários que faziam as obras ele não possuía nenhum contrato firmado com a Seduc.

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