‘Prêmio da loteria’ ajudou Eder construir mansão no Florais Cuiabá

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Welington Sabino, repórter do GD


Reprodução/Gazeta Digital

Ao ser preso no dia 1º de abril na 7ª fase da Operação Ararath por transferir bens para o nome de familiares, o ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes (PHS), réu em 7 ações penais, alegou que seu objetivo era oferecer segurança financeira aos seus familiares garantindo que teriam uma moradia por ser o único imóvel residencial da família. Afirmou que todos os recursos investidos na casa, R$ R$ 3.356 milhões (compra do terreno, projetos e construção) possuem origem lícita sendo que deste total, R$ 1,100 milhão era um prêmio da loteria federal que sua esposa, Laura Tereza da Costa Dias, recebeu em 2007.

A equipe do Gazeta Digital teve acesso com exclusividade ao termo de declarações que Eder prestou na Polícia Federal à delegada Heloísa Alves de Albuquerque Faveri. No documento, Eder negou que estivesse tentando ocultar a real propriedade dos imóveis e impedir o cumprimento de decisão judicial de sequestro de bens como afirma o Ministério Público Federal (MPF), autor do novo pedido de prisão preventiva contra Moraes. A prisão foi decretada pelo juiz Jeferson Schneider, da 5ª Vara Federal e até o momento, a defesa não conseguiu colocar Eder em liberdade.

Para justificar os R$ 3,3 milhões investidos na casa, Eder disse que os recursos são oriundos de diversas fontes: venda de um imóvel rural para a empresa Brasil Central Engenharia Ltda em 2013; prêmio da loteria federal que sua esposa recebeu no ano ano de 2007, no valor de aproximadamente R$ 1,100 milhão, venda de uma casa no condomínio Florais de Cuiabá e empréstimo pessoal tomado do senhor João Carlos Simoni, que totalizou R$ 2.420 milhões em 2010.

Na declaração, Eder ressaltou que conforme já havia declarado em juízo no dia 26 de março de 2015, o imóvel no qual reside no Florais dos Lagos, condomínio de luxo em Cuiabá, foi transferido para o nome de seu filho no final do ano de 2014 no afã de trazer alguma segurança financeira à sua família. Enfatizou que ao contrário das acusações formuladas, ele na verdade, “quis aproximar o bem de sua pessoa, uma vez que antes o imóvel estava em nome de um terceiro, sem vínculo familiar com ele”. Declarou ainda que todas as operações financeiras, desde a compra dos 2 terrenos por R$ 300 mil em 2010, passando pelos projetos da obra e a construção em si, constam das suas declarações de imposto de renda, conforme cópia que deixou para ser juntada aos autos.

Eder alegou que não tinha conhecimento que Renan Luis Mendonça Bezerra, na mesma data, registrou em cartório 2 escrituras de compra e venda relativa aos seus 2 terrenos no Condomínio Florais dos Lagos. Um deles em nome de seu filho V. C.D., tendo Eder e sua esposa como outorgantes anuentes – e outro com Pedro Armínio Piran. O ex-secretário disse que só tomou conhecimento da venda para Pedro Piran quando averbou a escritura no registro da matrícula dos imóveis em 2014.

Justificou que não questionou Renan quanto a este fato pois não teve prejuízo com o ato. Informou que só averbou a escritura de compra e venda em 2014 pois aguardava a conclusão dos pagamentos pela obra que estava sendo executada. O imóvel foi concluído integralmente em meados de 2014, mas sua família mudou-se para a residência no início daquele ano. Eder relatou que nunca pôs o imóvel à venda, apesar de que algumas vezes foi procurado por pessoas interessadas em adquirir a casa.

Renda familiar

No depoimento, o ex-secretário também revelou à delegada que estava prestando serviço de consultoria relacionada a negócios empresariais e políticos, estudo mercadológico de Mato Grosso, dentre outros assuntos de sua expertise. Relatou que desde 1988 costuma intermediar a compra e venda de veículos e em função de desempenhar atividade como autônomo sua renda mensal é bastante variada, mas à época girava em torno de R$ 12 mil.

Explicou ainda que sua filha é médica, recebe em torno de R$ 20 mil por mês e reside com a família, sendo o somatório destes valores a atual renda de sua família. Reiterou que a filha possui renda própria e o veículo Ranger Rover Evoque da família consta na declaração de imposto de renda dela. Questionado quanto a aquisição dos imóveis relacionados no documento apreendido em sua residência esclareceu que se tratava de cotação que solicitou que Celson Luiz Duarte Bezerra realizasse para ele avaliar opções de investimento.

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