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A Polícia Federal emitiu nota para comentar a 6ª fase da operação Ararath, desencadeada nesta sexta-feira (26). De acordo com o delegado Wilson Rodrigues de Souza, via assessoria, os crimes contra o sistema financeiro descobertos nas outras fases serviriam também para financiar campanhas políticas e subornar servidores públicos. Ele não falará sobre o caso, uma vez que o processo corre sob segredo de justiça.
“A organização, ainda, é investigada pela prática de lavagem de dinheiro, mediante a movimentação de recursos originários de crimes contra a Administração Pública que transitaram por contas de pessoas jurídicas interpostas, inclusive para pagamento de empréstimos ilegais concedidos pelos operadores financeiros investigados”, afirma o delegado em nota.
No total, foram cumpridos 5 mandados de busca e apreensão, sendo 2 em Cuiabá e 3 em Ribeirão Preto (SP), local onde o suplente de deputado estadual Gilmar Fabris (PSD), supostamente alvo desta etapa da ação, possui residência. “O cumprimento dos mandados é continuidade das ações conduzidas no âmbito dos inquéritos que integram a Operação Ararath, deflagrada em novembro de 2013, com fim de desarticular organização criminosa dedicada à prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, por intermédio de instituições financeiras clandestinas”.
Marcus Vaillant![]() |
Cartas marcadas – A entrada de Fabris no rol de investigados teria ocorrido após o depoimento dado pelo ex-secretário Eder Moraes à Justiça Federal. Em um dos depoimentos prestados no processo em que é réu ele foi questionado sobre um suposto esquema de emissão de cartas de crédito, que teria causado dano ao erário público em mais de R$ 500 milhões.
Nas outras fases, o foco da investigação foram pessoas e empresas que agiam como instituição financeira sem autorização do Banco Central e facilitavam a lavagem de ativos de origem ilícita, cujo dinheiro circularia num sistema financeiro paralelo sem controle e fiscalização.
As 5 fases anteriores da operação resultaram em 11 inquéritos, 1 ação proposta e mais de 200 pessoas investigadas. Os processos tramitam na Justiça Federal de Mato Grosso, Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal.
Fabris nega – Após a saída dos policiais federais, Fabris deixou o imóvel. Questionado sobre um suposto envolvimento no caso, bem como o cumprimento do mandado, o suplente afirmou que não tem nada a declarar. Ele seguiu, a pé, por cerca de 400 metros, até a sede do comitê de campanha do pessedista. Minutos depois, ele deixou o local em uma caminhonete, também sem falar com a imprensa.

