jogador do Flamengo Luiz Antonio disse, após prestar uma hora e meia de depoimento na Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado), que não presenteou miliciano com um Ford Edge, avaliado em R$ 130 mil. Segundo ele, o carro em questão foi roubado e que ele recebeu o dinheiro do seguro, após registro da ocorrência. A Polícia Civil suspeita que, além de ter relação com milicianos, o jogador tenha praticado o chamado “golpe do seguro do carro”.
Luiz Antonio negou qualquer relação com a milícia que atua na zona oeste do Rio. O jogador disse que desconhecia que Alexandre Antunes, suspeito de integrar o grupo criminoso, tivesse relação com a milícia.
O pai do atleta também era esperado, mas não compareceu. O jogador estava acompanhado de seu advogado, que também atua no Flamengo, Michel Assef Filho.
O delegado Alexandre Capote disse que o depoimento — cujo teor não foi revelado — será analisado e que ele contribui para as investigações. Entretanto, Capote avaliou o depoimento do pai do jogador como fundamental. O policial espera ouvi-lo nesta sexta-feira (15) sob o risco de ser conduzido à força, caso não se não apresente.
Desde segunda-feira (11), quando a polícia divulgou detalhes da investigações, Luiz Antonio não vem treinando no Flamengo. Ele é um dos principais atletas do elenco e atuou como titular na última partida do Campeonato Brasileiro, contra o Sport.
Nesta semana, o jogador alegou ser inocente sobre o suposto “golpe do seguro do carro”, conforme informou Assef Filho.
— O jogador me esclareceu todo o ocorrido e afirmou ser inocente das acusações feitas.
Investigações apontam que o jogador teria presenteado o ex-policial Marcos José de Lima, um dos líderes milicianos, com o Ford Edge. Dias depois, o pai do jogador registrou o suposto roubo do mesmo carro. O policial que fez o registro foi preso na semana passada, acusado de integrar a milícia. A polícia diz acreditar que o jogador tentou aplicar o golpe contra a seguradora, a fim de receber o valor do veículo.
Milícia capturada
Na semana passada, a Draco prendeu ao menos 21 suspeitos de atuar em quadrilha de milicianos em Campo Grande, zona oeste. Pelo menos sete policiais militares, um policial civil, um bombeiro e um agente penitenciário participavam do esquema. Durante a ação,foram apreendidos seis carros, uma moto, seis pistolas, uma carabina e R$ 7.852.
Chamada “Tentáculos”, a operação buscava cumprir 27 mandados de prisão e 90 de busca e apreensão. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a quadrilha de milicianos que atuava na venda e locação ilegal de 1.600 imóveis do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida chegava a faturar R$ 1 milhão por mês.
