Produtor rural mata namorada a tiros e comete suicídio em seguida

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Welington Sabino/GD

foto ilustrativa


A Polícia Civil trabalha com a hipótese de crime passional e aguarda somente os laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica para concluir o inquérito que apura a morte do produtor rural e empresário, Ivo Mateus de Souza, 62, e da jovem Elisselha Gomes Pereira, 24, que mantinha um relacionamento amoroso com ele no município de Novo Santo Antônio (1.063 Km a nordeste de Cuiabá). A versão investigada é a de que Ivo matou a namorada com pelo menos 4 tiros de revólver calibre 38 e logo em seguida se suicidou com um tiro na cabeça que atingiu o ouvido e transfixou a cabeça, saindo pelo crânio. O crime foi registrado por volta das 19h30 desta terça-feira (15) na região central da cidade.

Ivo deixou uma carta de despedida aos familiares onde pede desculpas pela “besteira” e pede ao filho dele e também a um irmão que honrem os compromissos financeiros e passem a administrar a loja de materiais agropecuários que ele tinha na cidade. A carta já está em poder do delegado que investiga o caso, Wanner Santos Neves. Com base no documento, foi possível concluir que o produtor premeditou o crime. De acordo com a Polícia Civil, Ivo é ex-morador da Gleba Suiá Missú, na reserva indígena de Marãiwatsede, área considerada de propriedade dos índios Xavantes, alvo de disputa judicial há vários anos e passou por um processo de desintrusão em 2012 e outro no mês passado quando parte dos moradores retornou para a área e novamente foi retirada. 

Apesar de moradores da região tentarem associar as 2 mortes à retirada dos moradores considerados invasores que ficaram sem as terras a sustentarem que muitos estão desesperados sem ter como obter sustento depois que perderam as propriedades, o delegado do caso e o investigador Rafael Mello descartam qualquer ligação entre a desintrusão e as duas mortes apontadas como homicídio seguido de suicídio. “Não temos dúvidas de que se trata de um crime passional”, ressatou o investigador ao Gazeta Digital. O revólver foi apreendido com 5 munições deflagradas e 1 intacta.

Conforme as informações levantadas pelo delegado e pelo investigador junto a vizinhos e testemunhas, Ivo entrou na casa de Elisselha por volta das 19h30 e disparou entre 3 e 4 tiros sem discutir. Ela tentou fugir e conseguiu correr por 2 lotes até cair na rua em frente a casa da irmã dela e morrer no local. A irmã tentou socorrer, mas nada pôde fazer. Em seguida, conforme relataram as testemunhas, o produtor saiu de dentro da casa com a arma lamentando pela “besteira” que tinha feito e então apontou o revólver no ouvido e disparou. Ele ainda foi socorrido com vida e levado por uma ambulância para o município de Serra Nova Dourada (1.125 Km a nordeste) e localizado a 60 Km de Novo Santo Antônio, mas morreu no caminho. O médico da unidade de saúde constatou a morte e emitiu atestado de óbito.

Em seguida, o delegado autorizou que os corpos de Ivo e Edissélha fossem levados para a cidade de São Félix do Araguaia (1.200 Km a nordeste de Cuiabá) para o médico-legista da cidade realizar os exames de necropsia. De acordo com o investigador, a mulher deixou um filho pequeno menor de 5 anos que tem deficiência física. A criança é fruto de outro casamento anterior ao relacionamento com Ivo. A irmã dela deve cuidar do menino.

Conclusão do inquérito

Quatro pessoas já foram ouvidas pelo delegado, sendo 3 vizinhos e a irmã de Edissélha. Segundo o investigador Rafael Mello, um irmão de Ivo também acompanhou os trabalhos da Polícia e está convencido de que o irmão matou a namorada e depois se matou. Na carta deixada, Ivo descreve as dívidas que têm a pagar e as contas que têm a receber. Pede ao irmão e ao filho que tomem conta do negócio e se descupa. Ele também divulga dados bancários como números de conta e senha para que os compromissos financeiros sejam honrados.

O delegado aguarda somente os laudos da Politec para finalizar e extinguir o processo. Apesar de afirmar tratar-se de um crime passional, o investigador explica que não foi possível identificar precisamente a causa, uma vez que ninguém confirmou se a vítima pretendia terminar o relacionamento. “Investigamos que eles ainda mantinham um relacionamento, não moravam juntos, mas se relacionavam. Não sabemos se foi ciúmes ou o que motivou o fato”, diz o investigador.

Sem estrutura

Para atender o caso, o delegado e investigador que são do município de São Félix do Araguaia, precisaram se deslocar por 200 quilômetros por estrada de terra durante à noite. Eles saíram por volta das 20h e levaram 3h30 para chegar a Novo Santo Antônio que só dispõe de 1 policial civil, que está de licença médica. O delegado responsável pela cidade está lotado em Alto Boa Vista, mas está de férias. Outros 2 policiais civis de Alto Boa Vista também deram apoio na ocorrência.

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