Após ter a prisão decretada, o prefeito de Coari (AM), Adail Pinheiro, entregou-se na tarde deste sábado (8), na Delegacia-Geral da Polícia Civil, em Manaus. Ele é acusado de ser o chefe de um esquema de exploração sexual de crianças e adolescentes.
Na manhã de hoje, outras cinco pessoas, assessores e funcionários de prefeitura, também foram presas. Alzenir Maia Cordeiro, os irmãos Anselmo e Elias do Nascimento Santos, Francisco Erimar Torres de Oliveira e Eduardo Jorge de Oliveira Alves foram levados para Manaus.
O prefeito foi levado para um quartel da Polícia Militar, onde permanecerá preso. A defesa dele havia pedido que ele não fosse levado a um presídio, como condição para que Adail se entregasse.
Segundo o procurador-geral de Justiça, Francisco Cruz, a prisão preventiva do prefeito e dos outros suspeitos é necessária para “garantir a ordem pública, evitar que novas vítimas sejam molestadas e que testemunhas sejam ameaçadas”.
Ainda segundo o procurador-geral, a denúncia resultou em um documento de 48 páginas, “fruto de um trabalho minucioso elaborado a partir das investigações iniciadas em julho de 2013”.
— Entendemos que o que estamos fazendo é o melhor para a sociedade. Existem elementos concretos para a ação penal e, a partir de agora, cabe ao Tribunal de Justiça dar prosseguimento ao caso — acrescentou Cruz.
A reportagem não conseguiu contato com Pinheiro ou com seus assessores. No último dia 21, o prefeito informou, em nota, que as denúncias contra ele são mentirosas e que as mulheres que confirmaram a denúncia (vítimas, parentes de vítimas e moradoras) são parentes de um político que lhe faz oposição.
Pinheiro, que está em seu terceiro mandado, garante nunca ter mantido qualquer tipo de relacionamento com as mulheres e sugere que as denúncias sejam uma maneira de prejudicá-lo às vésperas dele ser julgado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O prefeito é réu em pelo menos 70 processos que tramitam na Justiça do Amazonas.
Em 2006, a Polícia Federal passou a investigá-lo devido a indícios de desvio de recursos públicos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). As denúncias de pedofilia começaram a aparecer no decurso dessas investigações em escutas telefônicas judicialmente autorizadas.
As investigações culminaram na chamada Operação Vorax, cujo relatório foi divulgado em 2008. Desse relatório resultou a prisão de Pinheiro, em 2009. Em agosto de 2013, Pinheiro chegou a prestar depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, da Câmara dos Deputados.
No último dia 20, a Corregedoria Nacional de Justiça voltou a investigar possíveis irregularidades ou desvios de conduta cometidos por servidores do TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas), entre eles, juízes.
A correição atinge todas as unidades da Justiça de 1º e 2º graus e cartórios notariais e de registro e, segundo a assessoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a lentidão no julgamento dos vários processos contra Pinheiro estava entre os indícios de irregularidades, reclamações e denúncias que os quatro juízes auxiliares e servidores da corregedoria.
