Dilma sanciona, sem vetos, lei que obriga hospital a oferecer remédio contra gravidez a vítimas de estupro

Data:

Compartilhar:

Governo argumenta que a nova norma vai ajudar a evitar a prática do aborto legal

A presidente Dilma Rousseff sancionou, nesta quinta-feira (1º), na íntegra, o projeto de lei que obriga o SUS (Sistema Único de Saúde) a disponibilizar a pílula do dia seguinte para mulheres que foram vítimas de estupro. O texto, que foi aprovado por unanimidade na Câmara e no Senado, transforma em lei uma política já prevista em portaria do Ministério da Saúde, que recomendava os procedimentos.  

Agora, todos os hospitais e postos de saúde da rede pública estão obrigados a oferecer atendimento humanizado, acolhimento psicológico, tratamento de qualquer lesão física e medicamentos para doenças sexualmente transmissíveis, vírus HIV, hepatites virais e a pílula do dia seguinte — que deve ser ingerida em, no máximo, 72 horas após o estupro.  

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, responsável pelo anúncio da sanção da lei, alega que desde que a portaria com recomendações entrou em vigor, em 2008, o número de abortos legais — autorizados quando a gravidez é decorrente de violência sexual — caiu pela metade.  

— O Congresso Nacional, ao transformar essa portaria do Ministério da Saúde em lei, torna a prática obrigatória em todos os hospitais, postos de saúde e unidades de atendimento credenciados. […] Em quatro anos, houve uma redução de 50% no número de abortos legais no nosso País.  

De acordo com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, a intenção ao tornar as recomendações uma obrigação é justamente evitar o aborto legal.  

— É um projeto que além de prestar apoio humanitário essencial para mulher que foi vítima de uma tortura, porque todo estupro é uma forma de tortura, permite que ela não passe por um segundo sofrimento, que é a prática do aborto legal.

Modificações

Mesmo aprovando o texto sem vetos, a presidente Dilma vai encaminhar ao Congresso um novo projeto de lei, corrigindo o que o Planalto classificou de “imprecisões técnicas”.

A primeira correção é no artigo que define o que é violência sexual. A presidente entendeu que, do jeito que está, o texto é “vago” e pode deixar dúvidas na hora de definir a prática.

Por isso, enviou uma alteração para que violência sexual seja caracterizada como “todas as formas de estupro, sem prejuízo de outras condutas previstas em legislação específica”. A modificação busca incluir como vítimas crianças e pessoas com deficiência mental, que não podem responder pelos próprios atos.

Outra mudança é a substituição do termo “profilaxia da gravidez”. O Planalto acha melhor tirar o termo, justificando que ele não deixa claro que se trata de um medicamento para vítimas de estupro.

Para evitar confusão, a presidente Dilma pede que o termo seja substituído por “medicação com eficiência precoce para prevenir gravidez resultante de estupro”.

O texto entra em vigor em 90 dias, contados a partir da sanção da presidente.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Notícias relacionadas

Com selo diamante, Nova Santa Helena fortalece vacinação com novo veículo

O município de Nova Santa Helena alcançou um importante reconhecimento na área da saúde ao conquistar o selo...

Nova Santa Helena conquista novos ônibus escolares e reforça transporte para estudantes da zona rural

A educação de Nova Santa Helena acaba de ganhar um importante reforço. Dois novos ônibus escolares passam a...