O cacique do PMDB, deputado Carlos Bezerra, emplaca o suplente Victório Galli em cargo no governo para se livrar da pressão
As duas alas do PMDB, uma sob o cacique Carlos Bezerra e a outra liderada pelo governador Silval Barbosa, continuam com sede de poder e, aos poucos, vão "abocanhando" postos importantes sob indicação política que antes eram ocupados por outras legendas. Para fugir da pressão do suplente Victório Galli que sonha em reassumir a cadeira de deputado federal, Bezerra conseguiu emprego para o aliado no governo estadual. Assim, não precisa sair de licença. Num primeiro momento, Galli, que teve 54.382 votos, foi nomeado como secretário-adjunto da Casa Civil em Brasília. Como optou por voltar a morar em Cuiabá, segue lotado na mesma pasta, mas como assessor especial com salário superior a R$ 5 mil.
O PMDB possui controle absoluto de 5 secretarias e está prestes a assumir o comando da pasta do Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar. Bezerra já avisou a Silval que o cargo deve ficar com o afilhado político Clóvis Cardoso, que responde como adjunto da mesma secretaria. O titular José Domingos (DEM) vai reassumir a cadeira de deputado estadual.
Os peemedebistas estão à frente da Casa Civil, sob José Lacerda; Comunicação, com Osmar de Carvalho; Cidades, sob Nico Baracat; Trabalho e Assistência Social, com a primeira-dama Roseli Barbosa; e Desenvolvimento do Turismo, conduzida por Teté Bezerra. Conta com apadrinhados em praticamente todas as secretarias em postos que vão de segundo a quarto escalões. O filiado histórico Genilto Nogueira, por exemplo, está bem à vontade no governo. Era adjunto de Direitos Humanos e agora é de Justiça. Vive na trincheira, se articulando com a cúpula peemedebista para ser projetado para o primeiro escalão.
Com o avanço do PMDB no loteamento de cargos, os republicanos devem perder espaço. Por enquanto, detém 6 secretarias (Meio Ambiente, Indústria, Comércio, Minas e Energia, Cultura, Transporte e Pavimentação Urbana, Administração e a extraordinária de Acompanhamento da Logística Intermodal de Transportes, além das presidências do MTGás, do Intermat, do Detran e da Metamat. Os peemedebistas querem ocupar espaço do DEM, na área da agricultura, e também estão de olho na infraestrutura, com o provável remanejamento de Arnaldo Souza para a secretaria de Planejamento.
